EUCARISTIA: A SACRALIDADE DAS REALIDADES MUNDANAS

on 12/05/2009



Alguém afirmou certa vez: quem não tem para com o pão cotidiano a mesma reverência prestada ao pão eucarístico ainda não compreendeu suficientemente a grandeza do mistério da encarnação de Jesus no ventre de Maria e nas realidades humanas. Assim, entre as várias dimensões da eucaristia (por exemplo, sua dimensão profética, que aponta para a injusta exclusão de alguns membros do corpo de Cristo de uma vida digna; sua dimensão santificadora, através da nossa co-participação no corpo cósmico de Cristo e, nele, no seio da comunhão Trinitária; sua dimensão escatológica, quando antecipamos nesta vida a comunhão plena que será estabelecida na vida eterna), há um aspecto que não pode ser esquecido: Deus escolheu duas realidades mundanas (pão e vinho) para manifestar a sua presença eucarística (mistérica) no meio de nós. Ora, pão e vinho são muito mais do que simples alimento e bebida. Por trás dessa realidade – alimento e bebida – encontra-se a realidade do trabalho transformador humano que semeou e plantou a semente. Encontra-se a graça de Deus que as fez germinar. Encontra-se a co-participação humana na obra criadora de Deus, que alimenta a sua criação. Encontra-se a bondade presente no ser humano que partilhou o fruto da colheita com quem estava necessitado. Encontra-se a alegria da presença do Reino de Deus no meio de nós, quando nos reunimos em festa, cantamos, comemos e bebemos para saciar a nossa sede de felicidade e de comunhão. Encontra-se o esforço humano por adequar este mundo ao projeto amoroso de Deus. Por tudo isso, é possível afirmar: trabalhar, amar este mundo e suas criaturas, empenhar-se na luta por justiça é fazer com que a realidade do corpo eucarístico de Cristo na partícula consagrada e no mundo se torne transparente ao nosso olhar.

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